Encontro de Saberes na Passarela
A Maison Lumière apresentou nesta quarta-feira (15) sua coleção de alta-costura para a primavera-verão 2027, em um desfile que uniu luxo parisiense e tradição amazônica. Sob a direção criativa de Jean-Pierre Dubois, a grife convidou artesãs da etnia Marubo, do Vale do Javari, para criar bordados manuais que adornaram 32 looks elaborados com tecidos sustentáveis.
Protagonismo Indígena
As peças mais aclamadas foram os vestidos longos em seda crua, sobrepostos por mantos de algodão orgânico tingidos com urucum e jenipapo. A caciquinha Tainá, liderança Marubo, desfilou ao lado da modelo Gisele Bündchen, emocionando o público. “É a primeira vez que nossos grafismos são tratados como arte nobre, não como exotismo”, disse Tainá em entrevista.
Sustentabilidade e Polêmica
Apesar dos elogios, organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) questionaram a compensação financeira às artesãs. A Maison Lumière afirma ter destinado 10% da receita da coleção ao Fundo Amazônia e garantido contratos de dois anos para as bordadeiras. Já a Federação Francesa da Alta-Costura celebrou a inovação e anunciou que vai criar um selo de “moda ética” inspirado na parceria.
