Do Brechó à Passarela: A Ascensão do Upcycling nas Grandes Semanas de Moda
Em junho de 2026, o upcycling deixou de ser tendência nichada para se tornar protagonista nas principais semanas de moda do mundo. Em Milão, Paris e Nova York, grifes como Gucci, Prada e Stella McCartney apresentaram coleções inteiras compostas por peças recicladas de arquivos próprios e tecidos descartados. A prática, que antes era associada a brechós e marcas independentes, agora ganha status de luxo e inovação.
A estilista Marine Serre, conhecida por seus designs futuristas, liderou o movimento com uma linha que reaproveita uniformes militares e roupas de segunda mão. Já a Balenciaga surpreendeu ao transformar sobras de couro em bolsas limitadas, vendidas a preços premium. O CEO da Kering, François-Henri Pinault, afirmou que o upcycling é “uma necessidade econômica e ambiental” e que o grupo pretende que 30% de suas coleções sejam recicladas até 2030.
Pequenas marcas também se destacaram, como a brasileira República do Brechó, que desfilou pela primeira vez na London Fashion Week com peças feitas a partir de uniformes de hospitais. Dados do Fashion Revolution mostram que o mercado de upcycling cresceu 40% em 2025, impulsionado pela demanda dos consumidores da Geração Z e Alpha.
Apesar do entusiasmo, críticos apontam desafios: a escalabilidade ainda é baixa e o preço final pode ser proibitivo. Mesmo assim, especialistas como a consultora Livia Firth acreditam que o upcycling é o caminho para uma moda mais ética. “Não se trata apenas de reciclar, mas de repensar o ciclo de vida das roupas”, disse ela durante o Pacto da Moda Sustentável em Copenhague.
Com o apoio de celebridades como Emma Watson e Zendaya, que usaram looks upcyclados em tapetes vermelhos recentes, a tendência se consolida. Se antes o brechó era visto como alternativa para baixo orçamento, hoje é sinônimo de inovação e consciência ambiental. A moda, afinal, renasce dos seus próprios restos.
