Veto russo paralisa debate sobre clima no Conselho de Segurança
O Conselho de Segurança da ONU viveu um momento de tensão nesta quinta-feira (18) quando a Rússia vetou uma resolução que reconhecia as mudanças climáticas como uma ameaça direta à paz e segurança internacionais. A proposta, apresentada por França e México, contava com o apoio de 13 dos 15 membros do Conselho, mas foi barrada pelo veto russo, com a China se abstendo.
O texto pedia a integração de informações sobre riscos climáticos nas estratégias de prevenção de conflitos e solicitava ao secretário-geral, António Guterres, relatórios regulares sobre o impacto do clima em regiões vulneráveis. A embaixadora russa, Maria Zakharova, argumentou que o Conselho não é o foro adequado para debater clima, acusando países ocidentais de tentarem ‘securitizar’ a agenda ambiental para justificar intervenções.
Em resposta, os Estados Unidos classificaram o veto como ‘irresponsável’ e a França lamentou a ‘oportunidade perdida’. O Brasil, que preside o Conselho neste mês, emitiu nota defendendo que as mudanças climáticas têm ‘consequências profundas’ para a estabilidade global, especialmente na África e no Oriente Médio. Especialistas apontam que o veto reflete a rivalidade geopolítica entre Rússia e Ocidente, com o clima sendo usado como moeda de troca.
Organizações não governamentais como o Greenpeace e o World Resources Institute criticaram duramente a decisão. O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Jim Skea, alertou que a falta de ação coordenada pode agravar conflitos existentes e gerar novos deslocamentos forçados. A resolução vetada, se aprovada, teria sido a primeira do Conselho focada exclusivamente em clima.
