O verão 2026 chega com uma proposta ousada: unir estilo e sustentabilidade em cada costura. As principais semanas de moda, de Paris a São Paulo, revelaram uma tendência clara: o futuro da moda é verde. Nomes como Stella McCartney, pioneira no uso de materiais veganos, e a brasileira Osklen, que há anos investe em práticas eco-friendly, dominam as manchetes com coleções que usam desde algodão orgânico até tecidos feitos de garrafas PET recicladas.
Entre as inovações, o destaque vai para os chamados ‘tecidos inteligentes’, que se adaptam à temperatura corporal e reduzem o consumo de energia em lavagens. Marcas como a portuguesa Ecoalf e a americana Patagonia apresentaram peças que combinam alta tecnologia com baixo impacto ambiental. A indústria têxtil, responsável por 10% das emissões globais de carbono, agora corre para se reinventar, e o consumidor final é o grande beneficiado.
No Brasil, a Semana de Moda de São Paulo (SPFW) trouxe uma curadoria de jovens estilistas que usam resíduos têxteis para criar peças únicas. A artesã e designer Marina Bitu, do Ceará, transforma redes de pesca abandonadas em vestidos de alta-costura, unindo tradição e sustentabilidade. ‘A moda precisa ouvir o planeta’, afirma a estilista, que já tem suas peças vendidas em lojas conceito na Europa.
Além dos materiais, a logística reversa ganha força: programas de recompra e reciclagem de roupas se tornam comuns em grandes varejistas. A gigante sueca H&M ampliou seu programa global de coleta de roupas, e a brasileira Renner lançou um projeto piloto em lojas selecionadas. A economia circular, antes um nicho, agora é estratégia de negócio.
Especialistas apontam que a tendência é irreversível. ‘O consumidor está mais consciente e exige transparência das marcas’, diz a consultora de moda e professora da USP, Regina Santos. ‘As empresas que não se adaptarem perderão espaço no mercado’, completa. Com o verão se aproximando, as vitrines já exibem o novo guarda-roupa: peças atemporais, duráveis e que contam histórias de responsabilidade.
